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quarta-feira, 26 de outubro de 2011

Revista Superinteressante e a “Ciência Espírita”

Por Dora Incontri
Mais uma vez, a Revista Superinteressante perdeu uma ótima oportunidade de se revelar imparcial, ou pelo menos, respeitosa. Referimo-nos à matéria de capa, do número de outubro de 2011: Ciência Espírita.
Imparcialidade, sabemos, é uma utopia jornalística, que nunca será alcançada e talvez nem seja desejável, pois cada órgão da mídia representa fações sociais de pensamento, está aí para dar voz a determinado grupo e a certos interesses. O problema é que esses interesses não são explícitos, e mais, atualmente,  todos os órgãos de comunicação são hegemônicos e representam apenas uma forma de pensar e ver o mundo. Num sistema capitalista como o nosso, os grandes órgãos são grandes empresas e, como grandes empresas, muitas delas detentoras de monopólios de informação e de formação da opinião pública, não abrem espaço de manifestação para pensamentos alternativos, críticos ao sistema, dissidentes dos monopólios.
O pior de tudo é a forma manipuladora com que as matérias são conduzidas, para darem uma ilusão de imparcialidade, mas que induzem a um pensamento único, hegemônico.
Um dos monopólios ideológicos contemporâneos é o materialismo – ou ainda mais radical – o nihilismo. Qualquer tendência, pesquisa, ideia ou proposta, que ameace esse paradigma deve ser estigmatizada, ridicularizada, rechaçada a priori. É proibido duvidar de que somos meros produtos biológicos, determinados geneticamente e que nossa mente é um subproduto da química neural. Embora a ciência (juntamente com a filosofia, pois esse não é apenas um problema científico) esteja longe de ter fechado algum ponto de vista a respeito do conceito de mente – há uma unanimidade imposta, que não pode ser questionada. E a mídia é justamente a patrona das unanimidades dogmáticas.
Vejamos a matéria em questão. Comecemos pelo título de capa: a ciência não é espírita ou católica ou budista – a ciência é ciência e ponto. Ao assumir na capa o adjetivo de espírita – como ficará comprovado no final da reportagem – a revista desqualifica os cientistas que estão pesquisando os fenômenos de quase-morte e reencarnação, sendo que dos pesquisadores citados, são espíritas apenas os brasileiros, mas não os autores de fora, aliás respeitados internacionalmente.
Para os espíritas desavisados, o título Ciência Espírita pode soar como música, pois nós, espíritas, defendemos a existência de uma ciência iniciada por Kardec, com métodos próprios, para investigar os fenômenos que evidenciam a vida pós-morte. Entretanto, para a maioria das pessoas, chamar uma ciência de espírita, já a desqualifica de pronto, porque parece uma ciência pré-concebida, que parte de pressupostos já assentados. E para os pesquisadores como Sam Parnia, Erlendur Haraldsson ou Peter Fenwick, trata-se de uma afronta chamá-los de espíritas, pois pertencem a culturas onde o espiritismo de Kardec, tão difundido no Brasil, não tem nenhuma ressonância.
Como se trata de um assunto ainda polêmico, seria natural que os jornalistas ouvissem os dois lados: os pesquisadores de tais fenômenos e os críticos. As explicações de um lado e as explicações do outro. Isso é feito em certa medida, dando a sensação no decorrer da matéria de que a revista está sendo imparcial – apesar do diabo da maldade revelar a ponta da orelha em certos trechos, como quando ao tratar das experiências mediúnicas investigadas por Frederico Leão, lemos: “Para a maioria dos cientistas, uma coisa dessas soaria como um espetáculo circense, uma farsa.” Ou quando, os jornalistas acrescentam sarcasmo a um erro grave de informação (coisa muito comum na imprensa atual). Dizem: “O jargão (mente e cérebro) serviu para batizar o primeiro evento brasileiro dedicado às pesquisas sobre o além, o I Simpósio Internacional Explorando as Fronteiras da Relação Mente e Cérebro, em (de novo) Juiz de Fora.” Esse evento foi em São Paulo, no Centro de Convenções Rebouças.
Além das ironias, o problema central é que a matéria não coloca os dois lados e deixa a questão em aberto – o que seria  mais honesto. Os jornalistas (ou os editores, porque, muitas vezes, os editores remexem a matéria e imprimem o tom que a revista impõe) fecham com a negativa total, usando a seguinte tática: tanto dos fenômenos de quase morte, quanto dos casos sugestivos de reencarnação são narradas apenas algumas histórias isoladas. Isso em ciência não vale muito. Não se menciona que há uma casuística abundante. Por exemplo, em nenhum momento se fala que Stevenson, de que os citados Jim Tucker e Haraldsson foram colaboradores, coletou e investigou mais de 2500 casos de crianças com memórias de vidas passadas. A impressão que dá é que três ou quatro casos impressionaram homens ingênuos e com tendência a uma fé cega.
O tom final é que demonstra o que a Revista pretende que o leitor pense (pois é isso, ela quer impor um ponto de vista, sem nenhum respeito aos entrevistados, aos leitores e aos fatos): todos esses pesquisadores, brasileiros e estrangeiros, não passam de um bando de crédulos, homens de fé, que estão tentando provar o improvável. O mais incrível é a leviandade com que os jornalistas (que, diga-se de passagem, não são cientistas) pretendem derrubar a pesquisa de vidas inteiras: em apenas dois parágrafos, eles se referem a “evidências contra”. Quais?  Não são sequer mencionados outros cientistas que critiquem o trabalho dos colegas. O texto é dos próprios jornalistas; um texto confuso, tendencioso, com argumentos fracos e que termina da forma mais acintosa possível: “é difícil não acreditar que os pesquisadores de reencarnações, EQMs e afins, se movam mais pela fé que pela curiosidade científica.”
E assim, estamos conversados. Está dita a última palavra. Com meia-dúzia de frases, pensa-se garantir que o paradigma materialista, pelo qual a mídia zela com tanto fervor, permaneça intacto aos olhos dos leitores. 
http://pedagogiaespirita-abpe.org/2011/10/03/revista-superinteressante-e-a-ciencia-espirita/                                                   

Um comentário:

  1. O autor da matéria da Revista Superinteressante escreveu mais baseado em OUVIR DIZER. O interesse em combater os resultados das pesquisas superou o compromisso com a verdade.

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